Os primeiros meses de vida de um bebê são repletos de descobertas, tanto para os pais quanto para a própria criança. É nessa fase que o desenvolvimento visual começa a se estabelecer, e, naturalmente, os olhos ainda estão aprendendo a trabalhar em conjunto.
Por isso, é comum que alguns pais percebam que, em determinados momentos, o bebê parece “vesguinho”, com os olhos desalinhados. Mas será que isso é normal no início da vida ou pode ser um sinal de estrabismo verdadeiro?
Neste artigo, vamos explicar de forma clara o que é o estrabismo, quando ele pode ser considerado normal nos bebês, quais sinais exigem atenção e como é feito o diagnóstico e o tratamento.
O que é o estrabismo?
O estrabismo é uma condição ocular em que os olhos não se alinham corretamente. Enquanto um olho olha diretamente para o objeto de interesse, o outro se desvia para dentro (esotropia), para fora (exotropia), para cima (hipertropia) ou para baixo (hipotropia).
Essa falta de alinhamento pode ser constante ou intermitente, afetar um ou ambos os olhos e ocorrer desde o nascimento ou se desenvolver ao longo da infância. O problema ocorre porque o cérebro não consegue coordenar os músculos oculares de forma adequada, fazendo com que cada olho envie uma imagem diferente.
Quando isso acontece, o cérebro pode acabar “desligando” a visão do olho desviado para evitar a visão dupla — fenômeno conhecido como ambliopia ou “olho preguiçoso”.
Estrabismo verdadeiro x falso estrabismo
Antes de se preocupar, é importante entender que nem todo bebê que parece vesgo tem estrabismo de verdade. Existe o que chamamos de pseudostrabismo, ou falso estrabismo, muito comum nos primeiros meses de vida.
Pseudostrabismo (falso estrabismo)
O pseudostrabismo acontece por características anatômicas do rosto do bebê, como:
- Ponte nasal larga;
- Pregas de pele próximas ao canto interno dos olhos (epicanto);
- Olhos grandes e arredondados.
Esses traços podem dar a impressão de que os olhos estão desalinhados, especialmente em fotos ou quando o bebê olha para os lados. No entanto, os eixos visuais estão normais.
Com o crescimento e o desenvolvimento facial, essa falsa aparência de desvio costuma desaparecer naturalmente até os 6 meses de idade.
Quando o desalinhamento é normal?
Nos primeiros meses, o sistema visual do bebê ainda está em formação. É comum observar pequenos desalinhamentos ocasionais, especialmente:
- Até 3 meses de idade, quando os músculos oculares ainda estão aprendendo a se coordenar;
- Durante o sono ou quando o bebê está muito cansado;
- Em movimentos rápidos dos olhos, típicos de recém-nascidos.
Nessas situações, o desalinhamento é transitório e benigno. O importante é observar se o olhar tende a se tornar mais fixo e coordenado conforme o bebê cresce.
Quando o estrabismo é sinal de alerta?
Se, após os 6 meses de idade, os olhos do bebê continuam desalinhados com frequência, é hora de procurar um oftalmologista pediátrico.
Sinais que merecem atenção incluem:
- Um dos olhos parece constantemente “virado” para dentro ou para fora;
- O desalinhamento é sempre no mesmo olho;
- A criança vira a cabeça para enxergar melhor;
- Há lacrimejamento excessivo ou sensibilidade à luz;
- O bebê não fixa o olhar em rostos ou objetos após os 3 meses;
- Há histórico familiar de estrabismo ou ambliopia.
Nesses casos, é fundamental investigar a causa o quanto antes. O diagnóstico precoce aumenta muito as chances de correção completa da visão e evita complicações futuras.
Causas do estrabismo em bebês
O estrabismo pode ter origem genética, muscular ou neurológica. As causas mais comuns incluem:
- Predisposição hereditária: quando há casos na família, o risco é maior;
- Erro refrativo não corrigido: miopia, hipermetropia ou astigmatismo podem causar esforço ocular e desvio;
- Alterações neuromusculares: problemas no controle dos músculos oculares;
- Doenças neurológicas ou síndromes congênitas: como paralisias oculares, síndrome de Down ou paralisia cerebral;
- Lesões oculares congênitas.
Em alguns casos, o estrabismo pode ser secundário a doenças mais graves, como tumores intraoculares (exemplo: retinoblastoma), motivo pelo qual o exame oftalmológico é indispensável.
Diagnóstico: como o oftalmologista avalia?
O diagnóstico do estrabismo é feito por meio de exame oftalmológico completo, adaptado para a idade do bebê.
Durante a consulta, o especialista avalia:
- O reflexo da luz nos olhos (teste do reflexo corneano);
- O movimento ocular e a capacidade de fixação;
- A presença de erro refrativo (grau de miopia, hipermetropia ou astigmatismo);
- A estrutura interna do olho, para descartar doenças associadas.
Em alguns casos, pode ser necessário realizar exames complementares, como o mapeamento de retina ou testes de refração sob cicloplegia (com colírios dilatadores).
Tratamento: quanto antes, melhor.
O tratamento depende da causa e do tipo de estrabismo, mas quanto mais cedo for iniciado, maiores são as chances de recuperação da visão binocular, aquela em que os dois olhos trabalham juntos.
As principais opções terapêuticas incluem:
1. Óculos
Se o estrabismo estiver relacionado a erro refrativo (como hipermetropia), o uso de óculos pode corrigir o desalinhamento parcial ou totalmente.
2. Tampão ocular
Nos casos em que um olho está “preguiçoso” (ambliopia), o uso de um tampão naquele que é dominante, sem estrabismo, ajuda a fortalecer o mais fraco, estrábico, forçando o cérebro a utilizá-lo.
3. Exercícios ortópticos
São exercícios realizados sob orientação especializada para treinar a coordenação dos músculos oculares.
4. Cirurgia
Quando o tratamento clínico não é suficiente, a cirurgia de correção do estrabismo pode ser indicada. O procedimento é simples e ajusta a posição dos músculos oculares, alinhando os olhos e melhorando a estética e a função visual.
Por que o diagnóstico precoce é essencial?
Os primeiros anos de vida são cruciais para o desenvolvimento da visão. O cérebro está aprendendo a processar as imagens enviadas pelos olhos, e qualquer desvio persistente pode causar ambliopia, uma redução da visão em um dos olhos que se torna difícil de reverter após os 7 a 8 anos de idade.
Por isso, toda criança deve passar por uma avaliação oftalmológica até o primeiro ano de vida, mesmo que não apresente sintomas visíveis. Detectar e tratar o estrabismo precocemente é a melhor forma de garantir uma visão saudável e equilibrada.
O estrabismo em bebês pode ser algo normal nas primeiras semanas, mas também pode representar um sinal de alerta quando persiste além dos 6 meses de idade ou ocorre de forma constante.
Observar o comportamento visual do bebê e buscar avaliação oftalmológica no momento certo faz toda a diferença. O tratamento precoce é altamente eficaz e pode evitar complicações como a ambliopia e a perda da visão binocular.
Portanto, se você notar que o olhar do seu bebê está frequentemente “torto” ou desalinhado, não espere: agende uma consulta com um oftalmologista pediátrico. Cuidar da saúde ocular desde cedo é um investimento para toda a vida, afinal, uma visão saudável começa na infância.
Conte com a nossa experiência!
A Clínica Sulvision conta com 20 profissionais especializados em Oftalmologia com um ideal em comum: cuidar de você e da sua saúde! Entre em contato conosco para agendar o seu atendimento no Hospital Ernesto Dornelles e tenha a segurança de ser atendido por uma equipe qualificada.
Estamos aguardando o seu contato!
Clínica Sulvision
Unidades Porto Alegre
Hospital Ernesto Dornelles 1801 – 3º Andar
Av. Ipiranga, Porto Alegre – RS
Av. Dr. Nilo Peçanha, 2685 – 3º andar
Chácara das Pedras, Porto Alegre – RS
Unidade São Leopoldo
Rua Primeiro de Março 474 / 1402
Centro – São Leopoldo – RS
Unidade São Jerônimo
Av. Rio Branco, 1008/01
Bela Vista – São Jerônimo