O pterígio, popularmente conhecido como “carne crescida no olho”, é uma condição bastante comum, especialmente em pessoas que passam muito tempo expostas ao sol, ao vento e à poeira. Embora, na maioria dos casos, seja uma alteração benigna, o pterígio pode causar irritação, vermelhidão, sensação de corpo estranho e até prejudicar a visão, dependendo do seu tamanho e localização.
Quando o desconforto se torna persistente ou o crescimento avança em direção à córnea, o oftalmologista pode recomendar a cirurgia de pterígio. E é justamente nesse momento que muitas dúvidas surgem: “Essa cirurgia dói?”, “Como é a recuperação?”, “O pterígio pode voltar?”
Neste artigo, vamos esclarecer essas questões e explicar, de forma acessível, tudo o que você precisa saber sobre o procedimento e o pós-operatório.
O que é o pterígio e quando é necessário operar?
O pterígio é uma proliferação de tecido fibrovascular que se forma na conjuntiva — a membrana transparente que reveste a parte branca do olho — e cresce em direção à córnea.
A principal causa está relacionada à exposição excessiva aos raios ultravioleta (UV), mas fatores como vento, poeira, ressecamento ocular e predisposição genética também contribuem para o surgimento da condição.
Em estágios iniciais, o tratamento é feito com colírios lubrificantes e anti-inflamatórios, que aliviam os sintomas e reduzem a vermelhidão. No entanto, quando o pterígio causa irritação constante, compromete a visão, cresce rapidamente ou gera incômodo estético, a cirurgia passa a ser a melhor opção.
A cirurgia de pterígio dói?
Uma das principais preocupações dos pacientes é se o procedimento causa dor. A boa notícia é que a cirurgia de pterígio é indolor, pois é realizada com anestesia local, geralmente na forma de colírios anestésicos ou, em alguns casos, com pequenas injeções ao redor do olho.
Durante a cirurgia, o paciente permanece acordado, mas não sente dor, apenas uma leve pressão ou movimentação no olho. O procedimento costuma durar de 30 a 45 minutos e, na maioria das vezes, é feito em regime ambulatorial, ou seja, o paciente vai para casa no mesmo dia.
Como é feita a cirurgia?
O objetivo da cirurgia é remover o tecido do pterígio e restaurar a superfície ocular, reduzindo as chances de recidiva (retorno da “carne crescida”).
Atualmente, existem técnicas modernas e eficazes, entre elas:
1. Técnica convencional (excisão simples)
Consiste apenas na retirada do pterígio, deixando a área cicatrizar naturalmente. No entanto, essa técnica tem uma taxa de recidiva mais alta e, por isso, é menos utilizada hoje em dia.
2. Técnica com enxerto conjuntival autólogo
É considerada o padrão-ouro no tratamento cirúrgico do pterígio. Após a remoção do tecido, o cirurgião transplanta um pequeno fragmento de conjuntiva saudável (geralmente da parte superior do mesmo olho) para cobrir a área onde o pterígio foi retirado.
Esse enxerto é fixado com pontos muito finos ou com cola biológica, dependendo da técnica utilizada. Essa abordagem reduz significativamente o risco de recidiva e proporciona melhor resultado estético.
O pós-operatório: o que esperar?
Embora a cirurgia seja simples e segura, o pós-operatório do pterígio exige cuidados para garantir uma boa cicatrização e evitar complicações. Veja o que normalmente acontece nas semanas seguintes:
1. Sensação de desconforto e irritação leve
Nos primeiros dias, é comum sentir leve ardor, coceira, lacrimejamento e sensação de areia no olho. Esses sintomas tendem a melhorar progressivamente e podem ser controlados com os colírios prescritos pelo oftalmologista.
2. Vermelhidão e inchaço
O olho pode ficar vermelho e inchado nas primeiras semanas, algo totalmente normal. A coloração vai clareando gradualmente à medida que o tecido cicatriza.
3. Uso de colírios
O médico prescreve colírios anti-inflamatórios e antibióticos, que devem ser aplicados de forma rigorosa, conforme a prescrição. Eles ajudam a prevenir infecções, reduzir inflamações e acelerar a recuperação.
4. Proteção ocular
É fundamental proteger os olhos do sol, da poeira e do vento, principalmente nos primeiros meses. O uso de óculos escuros com proteção UV é indispensável, tanto para a recuperação quanto para evitar o retorno do pterígio.
5. Evitar esforço físico
Atividades que exigem esforço intenso, prática de esportes, contato com água de piscina ou mar e maquiagem ocular devem ser evitadas nas primeiras semanas, até liberação médica.
Tempo de recuperação
O tempo de recuperação varia de pessoa para pessoa, mas, em geral:
- Após 7 a 10 dias, o desconforto diminui bastante;
- A cicatrização completa ocorre entre 3 e 4 semanas;
- O resultado estético final pode ser avaliado após 1 a 2 meses.
O retorno ao trabalho depende da atividade exercida. Profissionais que trabalham em ambientes com muita poeira, vento ou exposição solar podem precisar de um período maior de afastamento.
O pterígio pode voltar depois da cirurgia?
Sim, o pterígio pode reaparecer, embora as técnicas modernas tenham reduzido bastante esse risco. A recidiva está associada a alguns fatores, como:
- Técnica cirúrgica utilizada;
- Falta de proteção solar após o procedimento;
- Exposição contínua a fatores irritantes (vento, poeira, luz solar intensa);
- Predisposição individual.
A taxa de recidiva com técnicas antigas chegava a 30–40%. Com o uso do enxerto conjuntival autólogo, o risco caiu para menos de 5%, tornando o procedimento muito mais previsível e duradouro.
Dicas para um bom resultado
Para garantir um pós-operatório tranquilo e minimizar o risco de complicações, siga estas orientações:
- Use corretamente os colírios prescritos;
- Evite coçar ou tocar o olho operado;
- Durma de barriga para cima nos primeiros dias;
- Não use lentes de contato até liberação médica;
Mantenha as consultas de acompanhamento, elas são fundamentais para monitorar a cicatrização e detectar precocemente qualquer sinal de recidiva.
Conclusão
A cirurgia de pterígio é um procedimento seguro, rápido e indolor, realizado sob anestesia local e com excelente taxa de sucesso. O pós-operatório exige alguns cuidados, mas, quando o paciente segue corretamente as orientações médicas, a recuperação é tranquila e o resultado estético e funcional costuma ser muito satisfatório.
Mais importante do que tratar é prevenir: o uso diário de óculos escuros com proteção UV, chapéus e lubrificantes oculares pode evitar o surgimento ou a recidiva do pterígio.
Se você tem “carne crescida” no olho, não adie a avaliação com o oftalmologista. Um diagnóstico preciso e o tratamento adequado são essenciais para manter seus olhos saudáveis e sua visão protegida.
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