A saúde ocular muitas vezes é negligenciada, até que sinais visuais comecem a atrapalhar a rotina. Entre as condições oculares mais comuns, especialmente em regiões de clima quente e com alta exposição solar, está o pterígio, também conhecido popularmente como “carne crescida nos olhos”. Embora geralmente benigna, a condição pode evoluir e comprometer a visão, exigindo, em alguns casos, intervenção cirúrgica.
Neste artigo, vamos abordar de forma detalhada o que é o pterígio, suas causas, sintomas, formas de prevenção e, principalmente, quando é necessário considerar a cirurgia.
O que é o pterígio?
O pterígio é uma lesão em forma de triângulo ou asa que cresce sobre a superfície da conjuntiva (a membrana transparente que reveste o branco do olho) e pode se estender até a córnea (a parte transparente localizada na frente do olho). Ele costuma aparecer no canto interno dos olhos, perto do nariz, e se projeta em direção ao centro do olho.
Embora seja uma lesão benigna, o pterígio pode causar desconforto, irritação, alterações estéticas e, nos casos mais avançados, afetar a visão ao deformar a córnea ou invadir seu eixo óptico.
Causas e fatores de risco
A causa exata do pterígio ainda não é completamente conhecida, mas está fortemente associada a fatores ambientais, especialmente a exposição crônica aos raios ultravioleta (UV). Por isso, ele é mais comum em pessoas que vivem em locais ensolarados, com muita exposição ao ar livre.
Os principais fatores de risco incluem:
- Exposição excessiva ao sol, especialmente sem proteção ocular adequada;
- Clima seco, poeira e vento constante;
- Irritação ocular crônica;
- Trabalho ao ar livre (agricultores, pescadores, pedreiros, entre outros);
- Histórico familiar de pterígio;
- Idade acima de 30 anos.
Pessoas que vivem ou trabalham em ambientes com alta exposição solar são significativamente mais propensas a desenvolver pterígio — por isso, ele é tão comum em países tropicais, como o Brasil.
Sintomas do pterígio
Nos estágios iniciais, o pterígio pode ser assintomático, percebido apenas como uma pequena “pele” no olho. À medida que progride, ele pode causar uma série de sintomas, como:
- Vermelhidão constante ou recorrente;
- Sensação de corpo estranho (como areia nos olhos);
- Irritação e ardência;
- Olhos secos ou lacrimejamento;
- Alterações visuais, especialmente se atingir a córnea;
- Preocupação estética, devido à aparência visível da lesão.
Em casos mais avançados, o pterígio pode provocar astigmatismo ao tracionar a córnea, comprometendo a qualidade da visão.
Diagnóstico
O diagnóstico do pterígio é realizado de forma simples, por meio de um exame clínico oftalmológico com o uso da lâmpada de fenda — um microscópio que permite ao médico observar em detalhes a superfície ocular. Em alguns casos, exames complementares podem ser solicitados para avaliar o grau de envolvimento da córnea e planejar a possível cirurgia.
Quando o pterígio deve ser tratado?
Nem todos os casos de pterígio requerem tratamento cirúrgico. O manejo depende da gravidade da lesão, dos sintomas e da velocidade de crescimento. Os casos mais leves podem ser controlados apenas com acompanhamento oftalmológico e colírios lubrificantes ou anti-inflamatórios.
O tratamento cirúrgico é indicado quando:
O pterígio avança sobre a córnea, atingindo ou ameaçando o eixo visual
- Há queixa de visão embaçada, astigmatismo ou distorção visual;
- O desconforto ocular é persistente, mesmo com uso de colírios;
- A lesão cresce rapidamente;
- A aparência estética causa impacto emocional ou social;
- Reincidência de pterígio já operado anteriormente.
A cirurgia é a única forma de remover completamente a lesão, embora exista um risco de recorrência, principalmente se não forem adotadas técnicas modernas e medidas preventivas após o procedimento.
Como é feita a cirurgia do pterígio?
A cirurgia é realizada em ambiente ambulatorial, com anestesia local e sedação leve. O procedimento consiste na remoção do tecido doente, seguido de uma técnica reconstrutiva para cobrir a área afetada.
A técnica mais moderna e eficaz é a autoplastia conjuntival, que consiste em retirar uma pequena porção da conjuntiva saudável do próprio olho do paciente e transplantá-la para o local onde o pterígio foi removido. Essa abordagem reduz significativamente o risco de recidiva.
Em alguns casos, pode-se utilizar também uma cola biológica para fixar o enxerto, dispensando o uso de pontos e tornando a recuperação mais confortável.
Pós-operatório e cuidados
A recuperação após a cirurgia costuma ser tranquila, mas requer alguns cuidados para evitar complicações e reduzir o risco de retorno da lesão.
Os principais cuidados incluem:
- Uso rigoroso dos colírios prescritos (antibióticos e anti-inflamatórios);
- Evitar coçar os olhos;
- Não se expor ao sol sem proteção ocular por, no mínimo, 1 mês;
- Evitar ambientes com poeira ou vento forte;
- Não praticar atividades físicas intensas nos primeiros dias.
A maioria dos pacientes retorna às atividades normais em cerca de 7 a 10 dias, mas a cicatrização completa pode levar algumas semanas.
A importância da prevenção
Embora nem sempre seja possível evitar completamente o aparecimento do pterígio, algumas medidas preventivas podem reduzir significativamente o risco de desenvolvimento ou crescimento da lesão:
- Usar óculos de sol com proteção UV sempre que estiver ao ar livre;
- Evitar exposição prolongada ao sol, poeira e vento;
- Manter os olhos lubrificados com colírios recomendados pelo oftalmologista;
- Realizar consultas oftalmológicas regulares, especialmente se houver histórico familiar.
A prevenção é ainda mais importante após a cirurgia, já que a recorrência pode acontecer, especialmente se a proteção solar for negligenciada.
O pterígio é uma condição ocular comum, especialmente em regiões tropicais e entre pessoas com alta exposição solar. Embora muitas vezes seja assintomático ou de evolução lenta, pode causar sintomas incômodos e comprometer a visão se não for tratado adequadamente.
A boa notícia é que a cirurgia é segura, eficaz e com baixo índice de complicações quando realizada por um especialista. A chave está na prevenção, no diagnóstico precoce e no acompanhamento regular com o oftalmologista. Se você notar qualquer alteração na superfície dos olhos, não hesite em buscar avaliação — cuidar da saúde ocular é essencial para manter sua qualidade de vida.
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