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Principais problemas de visão em crianças e como detectá-los

A visão desempenha um papel essencial no desenvolvimento infantil, influenciando diretamente a aprendizagem, a coordenação motora e as interações sociais. Estima-se que até 80% das informações processadas pelo cérebro venham dos olhos. Por isso, qualquer dificuldade visual não detectada precocemente pode impactar de forma significativa o rendimento escolar e a qualidade de vida da criança.

Muitos pais acreditam que os problemas de visão só aparecem na adolescência ou na vida adulta. No entanto, diversas condições oculares podem surgir ainda na infância e, se não tratadas a tempo, podem levar a complicações permanentes. Neste artigo, vamos explicar quais são os principais problemas de visão em crianças, os sinais de alerta para os pais e como fazer o diagnóstico precoce.

Por que identificar cedo os problemas visuais é tão importante

O sistema visual da criança está em desenvolvimento até aproximadamente os 7 a 8 anos de idade. Alterações não corrigidas durante esse período crítico podem levar a uma adaptação do cérebro à visão prejudicada, dificultando ou até impossibilitando a recuperação total mais tarde.

Além disso, problemas de visão podem se manifestar de forma silenciosa. Muitas crianças não sabem expressar corretamente o que estão vendo e podem acreditar que sua visão é “normal”, já que não têm parâmetros de comparação.

Por isso, é fundamental que pais, professores e pediatras fiquem atentos a sinais precoces e garantam consultas oftalmológicas regulares.

Principais problemas de visão em crianças

1. Erros de refração (miopia, hipermetropia e astigmatismo)

Os erros de refração são os problemas visuais mais comuns na infância. Eles ocorrem quando os olhos não conseguem focar corretamente as imagens na retina, resultando em visão borrada.

  • Miopia: a criança enxerga bem de perto, mas tem dificuldade para ver de longe.
  • Hipermetropia: dificuldade maior para objetos próximos, podendo causar cansaço ocular e dor de cabeça.
  • Astigmatismo: causa visão distorcida ou embaçada em todas as distâncias, devido à curvatura irregular da córnea.

Os sintomas podem incluir aproximar-se demais da televisão, estreitar os olhos para enxergar ou queixar-se de dor de cabeça após ler ou escrever.

2. Ambliopia (olho preguiçoso)

A ambliopia ocorre quando um dos olhos não desenvolve visão normal durante a infância, geralmente porque o cérebro passa a dar preferência ao outro olho.

Pode ser causada por diferenças significativas de grau entre os olhos, estrabismo ou opacidades que impedem a visão clara, como catarata congênita.

Se não for tratada antes dos 7 anos, a ambliopia pode levar a uma perda visual permanente no olho afetado.

3. Estrabismo

O estrabismo é o desalinhamento dos olhos, quando eles não apontam para a mesma direção. Pode ser constante ou intermitente e geralmente é perceptível pelos pais ou professores.

Além da questão estética, o estrabismo pode levar à ambliopia, já que o cérebro tende a ignorar as imagens do olho desalinhado para evitar visão dupla.

O diagnóstico precoce é fundamental para iniciar o tratamento, que pode incluir óculos, exercícios oculares, tampões ou cirurgia, dependendo do caso.

4. Catarata congênita

Embora rara, a catarata congênita é uma condição grave em que a lente natural do olho (o cristalino) já nasce opaca.

Se não for detectada e corrigida nos primeiros meses de vida, pode causar prejuízos irreversíveis ao desenvolvimento visual. Por isso, é fundamental que todos os recém-nascidos passem pelo teste do olhinho, que ajuda a identificar essa e outras anomalias precocemente.

5. Glaucoma congênito

Outro problema menos comum, mas sério, é o glaucoma congênito, caracterizado pelo aumento da pressão intraocular logo nos primeiros anos de vida.

Os sintomas incluem olhos grandes e brilhantes, lacrimejamento excessivo e sensibilidade à luz. O tratamento geralmente é cirúrgico e deve ser feito o quanto antes para preservar a visão.

6. Problemas de visão relacionados à tecnologia

O uso excessivo de dispositivos eletrônicos, como tablets e celulares, tem aumentado as queixas de fadiga ocular e síndrome do olho seco em crianças. Além disso, estudos sugerem uma relação entre tempo excessivo de tela e o aumento da miopia em idade escolar.

Limitar o uso de telas e incentivar atividades ao ar livre são medidas essenciais para preservar a saúde ocular.

Sinais de alerta para os pais

Nem sempre os problemas visuais são facilmente identificados. No entanto, alguns comportamentos podem servir como alerta para os pais:

  • Aproximar-se demais da TV, livros ou objetos para enxergar;
  • Reclamar de dor de cabeça ou cansaço visual;
  • Desempenho escolar abaixo do esperado;
  • Dificuldade para copiar a lição da lousa;
  • Lacrimejamento excessivo ou sensibilidade à luz;
  • Olhos vermelhos ou piscadas frequentes;
  • Desalinhamento dos olhos ou estrabismo visível.

Caso algum desses sinais seja observado, é essencial procurar um oftalmologista para avaliação.

Como é feito o diagnóstico

A consulta oftalmológica infantil geralmente inclui:

  • Exame de acuidade visual: avalia a nitidez da visão.
  • Teste do reflexo vermelho (teste do olhinho): realizado em bebês para detectar opacidades como catarata congênita.
  • Exame de motilidade ocular: verifica o alinhamento e os movimentos dos olhos.
  • Exames de refração: identificam erros de visão como miopia, hipermetropia e astigmatismo.

Em alguns casos, podem ser solicitados exames mais detalhados, como a tomografia de coerência óptica (OCT) ou o mapeamento de retina, especialmente em suspeitas de doenças mais complexas.

Tratamentos disponíveis

O tratamento depende do tipo e da gravidade do problema visual. As opções incluem:

  • Óculos de grau: para corrigir miopia, hipermetropia e astigmatismo.
  • Terapia com tampão (oclusão): para tratar ambliopia, estimulando o olho mais fraco.
  • Cirurgias: indicadas para casos como estrabismo, catarata congênita ou glaucoma.
  • Exercícios ortópticos: ajudam a melhorar o alinhamento e a coordenação ocular.

Além disso, consultas periódicas são fundamentais para acompanhar a evolução e ajustar o tratamento conforme necessário.

Os problemas de visão em crianças são mais comuns do que muitos imaginam e podem afetar diretamente o desempenho escolar, o desenvolvimento motor e a qualidade de vida.

Por isso, o diagnóstico precoce é essencial. Consultas oftalmológicas devem começar ainda nos primeiros anos de vida e ser repetidas regularmente, especialmente se houver histórico familiar de doenças oculares ou sinais de alerta.

Com acompanhamento adequado e tratamentos modernos, a maioria dos problemas visuais infantis pode ser corrigida ou controlada, garantindo uma visão saudável e um desenvolvimento pleno para a criança.

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