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Glaucoma é hereditário? Entenda os fatores de risco

O glaucoma é uma das doenças oculares mais preocupantes em todo o mundo, sendo conhecido como o “ladrão silencioso da visão”. Ele recebe esse apelido porque, na maioria dos casos, não apresenta sintomas evidentes nas fases iniciais. Muitas vezes, o diagnóstico só acontece quando já houve uma perda visual significativa, e o dano causado é irreversível.

Uma dúvida muito comum entre pacientes e familiares é se o glaucoma é hereditário e se o histórico familiar realmente aumenta o risco de desenvolver a doença. Neste artigo, vamos esclarecer essa questão e explicar os principais fatores de risco relacionados ao glaucoma, além de falar sobre a importância do diagnóstico precoce para preservar a visão.

O que é o glaucoma?

O glaucoma é um grupo de doenças que causam lesões progressivas no nervo óptico, a estrutura responsável por levar as informações visuais da retina até o cérebro.

Em muitos casos, está associado ao aumento da pressão intraocular (PIO), mas vale destacar que existem formas de glaucoma com pressão ocular normal, o que torna o diagnóstico ainda mais desafiador.

Com o tempo, se não for tratado, o glaucoma pode levar à perda gradual do campo visual, evoluindo para a cegueira irreversível.

O glaucoma é hereditário?

Sim, existe uma influência genética no desenvolvimento do glaucoma. Diversos estudos mostram que pessoas com histórico familiar da doença têm maior probabilidade de desenvolvê-la ao longo da vida.

O risco é especialmente alto no glaucoma primário de ângulo aberto, a forma mais comum da doença. Filhos, irmãos e parentes de primeiro grau de pacientes com glaucoma têm até quatro a nove vezes mais chances de apresentar a doença em comparação com quem não tem histórico familiar.

Além disso, em alguns casos mais raros, o glaucoma pode ter uma origem claramente genética, como o glaucoma congênito, que aparece já nos primeiros meses de vida devido a mutações específicas.

Fatores de risco para o glaucoma

Embora o fator hereditário seja importante, ele não é o único responsável pelo desenvolvimento da doença. Diversos fatores de risco podem aumentar as chances de uma pessoa desenvolver glaucoma ao longo da vida. Entre os principais, destacam-se:

1. Histórico familiar

Como já mencionado, parentes de primeiro grau de pacientes com glaucoma devem ter um cuidado especial, realizando consultas oftalmológicas regulares para rastrear a doença desde cedo.

2. Idade

O risco de glaucoma aumenta significativamente após os 40 anos, e cresce ainda mais a partir dos 60 anos. Isso ocorre porque o envelhecimento pode comprometer o sistema de drenagem do olho, elevando a pressão intraocular.

3. Pressão intraocular elevada

A pressão intraocular alta é o principal fator de risco conhecido para o glaucoma. No entanto, nem todas as pessoas com pressão ocular alta desenvolvem a doença, e algumas podem ter a condição mesmo com pressão considerada normal.

Por isso, o exame oftalmológico completo é fundamental para avaliar o conjunto de fatores e não apenas a pressão ocular isoladamente.

4. Etnia

Estudos mostram que pessoas de descendência africana têm risco mais elevado de desenvolver glaucoma, especialmente em idade mais precoce. Já em populações asiáticas, o glaucoma de ângulo fechado é mais comum.

5. Doenças sistêmicas

Condições como diabetes, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares podem aumentar a probabilidade de desenvolver a doença ou acelerar sua progressão.

6. Uso prolongado de corticoides

O uso de colírios, comprimidos ou pomadas à base de corticoides, especialmente por longos períodos e sem acompanhamento médico, pode elevar a pressão intraocular e aumentar o risco de glaucoma.

7. Traumas oculares

Acidentes que afetam os olhos, cirurgias oculares prévias ou inflamações internas podem comprometer o sistema de drenagem do humor aquoso, predispondo ao aumento da pressão intraocular e ao desenvolvimento da doença.

Sinais de alerta e sintomas

Um dos grandes desafios do glaucoma é seu caráter silencioso. Nas fases iniciais, a doença geralmente não causa dor nem alterações visuais perceptíveis.

Com a progressão, o paciente começa a perder a visão periférica, como se estivesse olhando por meio de um túnel. Nos estágios avançados, até a visão central pode ser afetada, levando à cegueira.

Algumas formas mais agudas, como o glaucoma de ângulo fechado, podem causar sintomas súbitos e intensos, como dor ocular, vermelhidão, náuseas, visão turva e halos ao redor das luzes, exigindo atendimento oftalmológico imediato.

Diagnóstico precoce: a chave para preservar a visão.

Como os danos do glaucoma não podem ser revertidos, o diagnóstico precoce é essencial para evitar a perda visual significativa.

Exames oftalmológicos completos, especialmente em pessoas com fatores de risco, devem incluir:

  • Tonometrias para medir a pressão intraocular;
  • Avaliação do nervo óptico com oftalmoscopia;
  • Campimetria visual para analisar o campo de visão;
  • Tomografia de coerência óptica (OCT) para mapear a espessura das fibras nervosas da retina.

O rastreamento deve começar antes dos 40 anos em pessoas com histórico familiar e após essa idade para toda a população em geral, conforme orientação médica.

Tratamento e controle do glaucoma

O glaucoma não tem cura, mas pode ser controlado para evitar a progressão da perda visual. As principais formas de tratamento incluem:

  • Colírios hipotensores para reduzir a pressão intraocular;
  • Tratamentos a laser, como a trabeculoplastia;
  • Cirurgias filtrantes e implantes de drenagem para casos mais avançados.

A adesão ao tratamento e o acompanhamento regular são fundamentais para o sucesso no controle da doença.

O glaucoma tem, sim, um componente hereditário importante, e pessoas com histórico familiar devem estar atentas ao risco aumentado. Entretanto, idade, pressão intraocular elevada, doenças sistêmicas e outros fatores também desempenham papel fundamental no surgimento e na progressão da doença.

Como a perda visual causada pelo glaucoma é irreversível, a melhor forma de proteção é o diagnóstico precoce, por meio de consultas regulares com o oftalmologista, especialmente para quem possui fatores de risco.

Com o tratamento adequado e acompanhamento contínuo, é possível preservar a visão e garantir qualidade de vida, mesmo após o diagnóstico da doença.

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