O envelhecimento traz diversas transformações naturais ao corpo — e os olhos não ficam de fora. Uma das principais causas de perda visual em pessoas acima dos 60 anos é a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), uma doença que afeta a parte central da retina, responsável pela visão de detalhes finos e pela percepção das cores.
A DMRI é uma condição progressiva, silenciosa e potencialmente incapacitante, podendo comprometer atividades cotidianas como ler, dirigir, reconhecer rostos e enxergar objetos próximos com nitidez. Embora não leve à cegueira total, a doença causa grande impacto na qualidade de vida, já que afeta justamente a visão central — a mais importante para a maioria das tarefas visuais.
Neste artigo, você vai entender o que é a DMRI, por que ela ocorre, quais são seus tipos, sintomas, fatores de risco, métodos de diagnóstico e as opções mais modernas de tratamento e prevenção.
A mácula: o centro da visão.
Para compreender a DMRI, é importante entender o papel da mácula, uma pequena região localizada no centro da retina, a estrutura que reveste o fundo do olho e transforma a luz em sinais que o cérebro interpreta como imagens.
A mácula é responsável pela visão central e pela percepção de detalhes, como ler letras pequenas, costurar, dirigir ou enxergar o rosto das pessoas. Quando há degeneração dessa região, a visão central é prejudicada, enquanto a visão periférica (ao redor) geralmente permanece preservada.
É por isso que pessoas com DMRI não ficam completamente cegas, mas podem perder a capacidade de realizar tarefas que exigem visão nítida.
O que causa a degeneração macular?
A DMRI está fortemente relacionada ao envelhecimento natural da retina, mas sua origem exata envolve uma combinação de fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida.
Com o passar dos anos, o acúmulo de resíduos metabólicos sob a mácula (chamados de drusas) prejudica o funcionamento das células sensoriais da retina, levando à sua degeneração progressiva.
Além disso, em alguns casos, ocorre o crescimento anormal de vasos sanguíneos sob a retina, que podem vazar sangue ou líquido, comprometendo ainda mais a visão.
Tipos de DMRI
A DMRI se divide em dois tipos principais: seca (ou atrófica) e úmida (ou exsudativa).
1. DMRI seca (ou atrófica)
É a forma mais comum, representando cerca de 85 a 90% dos casos. Ocorre quando as células da mácula se degeneram lentamente, levando à formação de pequenas manchas borradas na visão central.
A progressão é gradual, e os sintomas podem demorar anos para se manifestar. Ainda assim, é importante o acompanhamento médico para evitar evolução para formas mais graves.
2. DMRI úmida (ou exsudativa)
Mais rara, porém muito mais agressiva, essa forma corresponde a cerca de 10 a 15% dos casos, mas é responsável pela maioria das perdas visuais severas associadas à doença.
Ela ocorre quando vasos sanguíneos anormais crescem sob a mácula (neovascularização), causando vazamento de sangue e fluido. O resultado é uma distorção rápida da visão e perda súbita da nitidez.
Sem tratamento, a DMRI úmida pode causar cicatrizes irreversíveis na retina em pouco tempo.
Sintomas da DMRI
Os sintomas da DMRI variam conforme o tipo e o estágio da doença. No início, pode ser assintomática, o que reforça a importância dos exames oftalmológicos regulares.
À medida que progride, os sinais mais comuns incluem:
- Visão embaçada ou distorcida no centro do campo visual;
- Dificuldade para ler letras pequenas ou enxergar detalhes;
- Linhas retas parecendo tortas ou onduladas (metamorfopsia);
- Mancha escura ou vazia no centro da visão (escotoma central);
- Maior necessidade de iluminação para ler;
- Dificuldade para reconhecer rostos;
- Alterações na percepção de cores.
Na DMRI úmida, esses sintomas costumam aparecer de forma súbita e evoluir rapidamente, exigindo atendimento oftalmológico imediato.
Fatores de risco
Alguns fatores aumentam significativamente a probabilidade de desenvolver a DMRI:
- Idade acima de 55 anos, o principal fator de risco;
- Histórico familiar da doença;
- Tabagismo, dobra o risco e acelera a progressão;
- Exposição solar excessiva sem proteção ocular;
- Dieta pobre em antioxidantes e ômega-3;
- Hipertensão arterial e doenças cardiovasculares;
- Obesidade e sedentarismo;
- Etnia, pessoas de pele clara e olhos claros tendem a ser mais suscetíveis.
Modificar alguns desses hábitos pode ajudar na prevenção e no controle da progressão da doença.
Diagnóstico: como é feito?
A detecção precoce da DMRI é essencial para preservar a visão. O diagnóstico é feito por meio de uma avaliação oftalmológica completa, que pode incluir:
- Exame de fundo de olho (fundoscopia): permite visualizar diretamente a mácula e identificar drusas ou alterações pigmentares;
- Grade de Amsler: teste simples que ajuda a detectar distorções visuais;
- Tomografia de Coerência Óptica (OCT): exame não invasivo que mostra em alta definição as camadas da retina;
- Angiografia com fluoresceína ou verde de indocianina: avalia o fluxo sanguíneo e identifica vazamentos característicos da DMRI úmida.
Pessoas com histórico familiar ou fatores de risco devem realizar consultas oftalmológicas anuais a partir dos 50 anos (ou antes, se indicado pelo médico).
Tratamento da DMRI
O tratamento depende do tipo e da fase da doença. Embora a DMRI não tenha cura, existem estratégias eficazes para controlar a progressão e preservar a visão.
1. DMRI seca
O foco está na prevenção da progressão para estágios mais avançados. As principais medidas incluem:
- Suplementação com antioxidantes e zinco, conforme estudos do Age-Related Eye Disease Study (AREDS);
- Mudança no estilo de vida, como parar de fumar, praticar exercícios e manter uma alimentação rica em frutas, vegetais e peixes;
- Acompanhamento regular com o oftalmologista.
2. DMRI úmida
O tratamento é mais intensivo e envolve o uso de injeções intraoculares de medicamentos chamados antiangiogênicos (anti-VEGF), que bloqueiam o crescimento de vasos anormais e reduzem o vazamento de fluido.
Essas injeções, aplicadas em intervalos regulares, ajudam a estabilizar e, em muitos casos, melhorar a visão.Já em situações específicas, pode-se associar tratamento a laser (fotocoagulação) ou terapia fotodinâmica, dependendo do caso.
Prevenção e hábitos saudáveis
Embora o fator idade não possa ser evitado, hábitos de vida saudáveis podem reduzir consideravelmente o risco e retardar a progressão da DMRI:
- Não fumar;
- Usar óculos de sol com proteção UV;
- Manter uma dieta rica em antioxidantes (vitaminas C, E, zinco, luteína e zeaxantina);
- Consumir peixes ricos em ômega-3;
- Controlar a pressão arterial e o colesterol;
- Praticar atividade física regularmente;
- Realizar check-ups oftalmológicos anuais.
A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) é uma das principais causas de perda visual em idosos, mas não precisa significar o fim da autonomia visual.
Com diagnóstico precoce, acompanhamento especializado e adoção de hábitos saudáveis, é possível preservar a visão e manter a qualidade de vida por muitos anos.
Se você tem mais de 50 anos ou histórico familiar de DMRI, converse com seu oftalmologista e realize exames de rotina. Cuidar dos olhos é uma das formas mais eficazes de garantir independência, segurança e bem-estar na terceira idade.
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