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Lentes esclerais e outras opções para quem tem ceratocone

O ceratocone é uma doença progressiva da córnea que afeta milhares de pessoas em todo o mundo. Caracterizada por um afinamento e uma curvatura anormal da córnea — que assume o formato de um cone — a condição compromete a visão de maneira significativa, especialmente se não for tratada de forma adequada. 

Felizmente, os avanços na oftalmologia oferecem uma série de alternativas para melhorar a qualidade visual dos pacientes com ceratocone, e as lentes esclerais estão entre as mais eficazes.

Neste artigo, explicamos o que são lentes esclerais, como elas funcionam, quem pode se beneficiar delas e quais são as outras opções disponíveis para o tratamento visual do ceratocone.

O que é o ceratocone?

O ceratocone é uma doença não inflamatória e progressiva da córnea, em que essa estrutura transparente e curva localizada na frente do olho sofre um afinamento e protrusão em formato cônico. Isso gera uma distorção das imagens, devido à irregularidade da superfície corneana, causando sintomas como:

  • Visão borrada ou distorcida;
  • Sensibilidade à luz (fotofobia);
  • Aumento do astigmatismo irregular;
  • Dificuldade para enxergar à noite;
  • Mudanças frequentes no grau dos óculos.

A doença geralmente começa na adolescência ou no início da vida adulta e pode progredir por vários anos, afetando de forma severa a visão se não houver tratamento adequado.

Lentes esclerais: uma solução moderna e eficaz.

As lentes esclerais são uma das soluções mais modernas e eficazes para pacientes com ceratocone moderado a avançado. Diferentemente das lentes de contato comuns, que se apoiam diretamente na córnea, as lentes esclerais se apoiam na esclera (a parte branca do olho), “saltando” a córnea e criando um reservatório de líquido entre a lente e o olho.

Esse reservatório atua como uma superfície óptica regular, compensando as irregularidades da córnea causadas pelo ceratocone. O resultado é uma melhora visual significativa e maior conforto, mesmo em casos em que outras lentes rígidas são intoleráveis.

Vantagens das lentes esclerais:

  • Excelente qualidade visual;
  • Maior conforto, mesmo em olhos sensíveis;
  • Maior estabilidade da lente, sem deslocamento fácil;
  • Hidratação contínua da córnea (útil em casos de olho seco associado);
  • Boa tolerância em pacientes que não se adaptaram a lentes rígidas convencionais.

Apesar de serem mais caras e exigirem adaptação personalizada, as lentes esclerais se tornaram a opção preferida em muitos casos mais avançados de ceratocone.

Outras opções de correção visual para ceratocone

Embora as lentes esclerais sejam uma das melhores alternativas, elas não são a única forma de melhorar a visão em pacientes com ceratocone. A escolha do método ideal depende do grau de progressão da doença, da espessura da córnea e da qualidade visual do paciente. Confira as principais opções:

1. Óculos (estágios iniciais)

Nos estágios muito iniciais do ceratocone, quando a curvatura da córnea ainda é discreta e o astigmatismo é regular, é possível corrigir a visão com óculos. No entanto, essa opção costuma perder eficácia conforme a doença avança e o astigmatismo se torna irregular.

2. Lentes rígidas gás-permeáveis (RGP)

São lentes de contato pequenas e rígidas que se assentam diretamente sobre a córnea. Elas criam uma nova superfície óptica, regularizando a visão. Embora eficazes, podem ser desconfortáveis para alguns pacientes, especialmente quando há sensibilidade corneana.

3. Lentes híbridas

Combinação de uma zona central rígida (como as RGP) com uma borda gelatinosa, visando oferecer o conforto das lentes gelatinosas com a qualidade visual das lentes rígidas. São úteis para quem tem desconforto com RGPs, mas nem todos se adaptam.

4. Lentes gelatinosas especiais para ceratocone

São diferentes das lentes de contato gelatinosas comuns. Possuem espessuras e geometrias específicas para melhor adaptação à curvatura irregular da córnea. São mais confortáveis que lentes rígidas, mas com resultados visuais inferiores em casos mais avançados.

5. Crosslinking corneano

Embora não melhore a visão diretamente, o crosslinking é um tratamento importante para frear a progressão do ceratocone. Envolve a aplicação de riboflavina (vitamina B2) e luz ultravioleta para fortalecer as fibras de colágeno da córnea. Pode ser combinado com o uso de lentes para melhorar a qualidade visual após o controle da progressão.

6. Anéis intracorneanos (implantes)

Consiste na colocação de pequenos segmentos semicirculares dentro da córnea para remodelar sua curvatura. É indicado para casos moderados, quando ainda há espessura suficiente da córnea. Pode melhorar a visão com ou sem óculos/lentes, mas muitas vezes ainda é necessário o uso de lentes esclerais ou RGP após o implante.

7. Transplante de córnea

Nos casos extremos, em que a córnea está muito fina ou com cicatrizes e não há mais resposta a outras abordagens, o transplante (lamelar ou penetrante) pode ser indicado. Trata-se de uma cirurgia complexa, com bom prognóstico em centros especializados, mas requer acompanhamento contínuo e longo período de reabilitação visual.

Qual a melhor escolha?

Não existe um único tratamento ideal para todos os pacientes com ceratocone. Cada caso deve ser cuidadosamente avaliado por um oftalmologista especializado em córnea e refração. A decisão depende de fatores como:

  • Estágio da doença (leve, moderado ou avançado);
  • Espessura corneana;
  • Tolerância e adaptação a lentes;
  • Condições associadas (como olho seco ou alergias);
  • Expectativas visuais e estilo de vida do paciente.

Muitos pacientes, inclusive, passam por diferentes etapas ao longo da vida — começando com óculos ou lentes RGP e evoluindo para lentes esclerais ou cirurgia, conforme a progressão da doença.

O ceratocone é uma condição visual desafiadora, mas que, com os avanços da oftalmologia, pode ser gerenciada de forma eficaz. As lentes esclerais, em especial, representam uma revolução para pacientes com formas moderadas a graves da doença, oferecendo conforto e excelente qualidade visual.

No entanto, é fundamental manter um acompanhamento oftalmológico regular para detectar a progressão da doença, adaptar o tratamento conforme necessário e garantir que o paciente tenha a melhor visão possível, com qualidade e segurança.

Se você tem ceratocone ou suspeita da condição, consulte um especialista. O diagnóstico precoce e o plano de tratamento adequado são fundamentais para preservar a sua visão no longo prazo.

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